11 de janeiro de 2026

@prof.wendel blecaute

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Blecaute

Os apagões podem gerar uma crise social, política e econômica como só os países em guerra enfretam.

Alexandre Secco. (Revista VEJA. 16 de maio de 2001)

 

O Brasil tem um encontro marcado com o caos. No dia 1º de junho começa o plano de racionamento de energia. Primeiro serão atingidos os Estados do Sudeste, do Centro-Oeste e do Nordeste. Depois, a partir de agosto, podem entrar no apagão os Estados do Norte e do Sul. Plano de racionamento foi a expressão elegante que o governo encontrou para referir-se a um blecaute que vai apagar as cidades brasileiras por três, quatro ou cinco horas - todos os dias. As pessoas sabem como é desagradável enfrentar um apagão de horas. Alguns até ja' passaram por isso durante dias seguidos. Mas imagine o que significa ter a energia cortada nesse patamar durante seis meses, no mínimo. Só países em guerra em geral passaram por algo parecido.

 

As razões do colapso...

O modelo  brasileor é baseado quase que exclusivamente em hidrelétricas, que produzem 97% da energia consumida no país. Sem chuva, entra em colapso.

Até 1989, investiam-se mais de 20 bilhões de reais por ano no setor energético. Nos últimos anos, esse valor caiu para 8 bi.

O processo de privatização foi feito de forma estabanada. Não se exigiu que as concessionárias gerassem energia nova, o que aumentou a defasagem entre produção e consumo.

Embora o estado mantenha sob seu controle 80% da geração e 30% da distribuição, a equipe econômica proibiu as estatais de energia de fazer investimentos.

Houve atraso na licitação de novas usinas.

O governo criou um programa de termelétricas que previa a construção de 49 usinas, mas apenas nove ficarão prontas no prazo.

Há uma visível confusão administrativa entre a agência reguladora, a Aneel, e o Ministério das Minas e Energia.

A tarifa média cobrada do consumidor está num patamar que dificulta novos investimentos em geração de energia.

A energia produzida em excesso numa região não pode ser aproveitada em outra por falta de linhas de transmissão.

O nível dos reservatórios da Região Sudeste está em declínio há anos, chegando a apenas 33% de sua capacidade.

 

 

...e suas consequencias.

De 1990 até hoje, o consumo de energia elétrica cresceu 4,1%, mas a geração só aumentou 3,3%. Para se equilibrar, o sistema precisaria de uma nova hidrelétrica de Tucuruí, que custou 11 bilhões de reais.

Estudo da FGV mede o impacto do racionamento de energia sobre a economia brasileiraem determinados cenários. Observe o que acontece em alguns deles se o governo cortar 20% da energia durante seis meses.

[PIB] em vez de crescer 4,5% em 2001, a economia vai crescer apenas 3,5% - efeito quase equivalente ao que teria para o Brasil a quebra da Argentina.

[Emprego] Por causa do apagão, mais de 850.000 empregos deverão deixar de ser criados.

[Balança Comercial] O racionamento deverá provocar um déficit adicional de 1,6 bilhão de dólares.

[Impostos] O governo perde 7 bilhões de reais em arrecadação - algo como meio ano de CPMF. 

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